Os conhecidos “testes de stress” à banca tornaram-se habituais mas poucos saberão que o sector dos seguros também já é submetido a estudos de resistência há cinco anos. Essa foi, de resto, a data de implementação da directiva comunitária com vista à prevenção de situações como a que atingiu a maior empresa daquele ramo nos EUA, a American International Group (AIG), a qual, na sequência dos investimentos sem fundo no banco Lehman Brothers, entretanto falido, se tornou numa das entidades mais endividadas do país e se lançou numa espiral descendente na captação de clientes.

No caso português, os exames à performance das seguradoras foram bastante positivos, havendo cerca de 1.2 mil milhões de euros de capital no conjunto global do sector, ou seja, mais três mil milhões do que a verba exigida para a abertura de uma instituição deste género. No fundo, essa quantia torna este segmento lusitano num dos que obtém melhor desempenho no “velho continente”.

A responsabilidade do referido teste coube à autoridade europeia dos seguros e fundos de pensões (EIOPA), segundo a qual o sistema nacional “passa com distinção” no QIS5, denominação atribuía ao estudo que avalia os possíveis resultados da execução do regime Solvência II, plano estratégico de regulamentação do ramo segurador que terá início nos primeiros meses de 2013.

De acordo com os dados daquela instituição, a maioria das empresas portuguesas desta área dispõem de 120 a 200 por cento do capital correspondente aos requisitos mínimos do Solvência II, ficando as restantes com uma média de 75 por cento do imposto no futuro regime. Tal equivale a dizer que o cenário nacional é animador mas não deve descurar-se, pois antevê-se uma contracção para este ano devido à crise que afecta o país, o que a verificar-se comprometerá seriamente a sua liquidez e imagem perante os mercados, a mina de grande parte do financiamento que necessita para funcionar.

Na análise da EIOPA é desta forma considerada a actual e complicada situação da nação e dos clientes por consequência, sendo a avaliação final cautelosa nas suas conclusões, frisando-se que o “rácio de solvência médio [das seguradoras portuguesas] terá permanecido a um nível relativamente confortável ao abrigo do regime Solvência II”. Considerou-se, portanto, o ambiente socioeconómico lusitano e as perspectivas para 2011, havendo um notório cuidado nas elações retiradas deste “teste de stress” ao sector segurador nacional, ainda assim muito positivo.

 

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