seguroauto Entre os aspetos que mais influenciam o custo de um seguro automóvel encontram-se o histórico de sinistralidade, a tipologia de veículo, a localidade de circulação e o número de anos enquanto condutor declarado. Para apurar qual o peso deste último fator no prémio cobrado pelas seguradoras, a plataforma de simulação gratuita de produtos financeiros ComparaJá.pt analisou o mercado português e concluiu que uma diferença de dez anos pode significar pagar o dobro.

Seguro automóvel em nome dos pais quando se é condutor habitual é ilegal

Por vezes, com o intuito de reduzir os encargos com os seguros, os pais optam por não colocar os seus filhos como condutores habituais. Para além de estarem apenas a adiar o “problema”, isto porque quanto mais tarde os declararem como condutores habituais menos histórico terão – pagando na mesma prémios avultados -, não estão a cumprir a lei.
“Os pais ao facilitarem a aquisição do seguro automóvel, omitindo a identidade do condutor habitual (o seu filho), e assim beneficiando do seu histórico de sinistralidade, estão, para além de contrariar o legalmente imposto, a adiar um problema para os seus filhos”, refere o Vice-Presidente para seguros do ComparaJá.pt, Miguel Mamede. “Quanto mais cedo estes constituírem o seu histórico de condução, mais benefícios poderão adquirir aquando da contratação do seguro automóvel”, conclui.

Isto acontece dado que o tomador do seguro, ao não revelar que o condutor habitual do seu veículo é um jovem recém encartado, omitindo a real identidade do mesmo, indicando que é ele o próprio condutor, está em incorrer contra o expresso nos pontos nº 1 e 2 do Artigo 24º do Decreto Lei nº 72 de 16 de Abril de 2008 (Subsecção II) dando à seguradora o direito de terminar o contrato caso se prove que o condutor habitual não é o próprio tomador do seguro. Ora, em caso de acidente, isto significa que o condutor do carro deixa de beneficiar de proteção do seguro, incorrendo em responsabilidade civil perante a lei. “As seguradoras estão legalmente habilitadas para, por um lado resolver o contrato e por outro declinar a responsabilidade em caso de sinistro, caso identifiquem esta situação, pelo que é de todo desaconselhável aos pais, mesmo pensando que estão agir corretamente, fazê-lo”, aconselha Miguel Mamede.

Idade do condutor influencia 50% do preço do prémio

Considerando como viatura a segurar um Renault Clio Energy Dci 90 (novo), a partir do exemplo de um engenheiro, solteiro, a morar no centro de Lisboa, que fará menos 20.000km/ano e que dispõe de garagem, a plataforma traçou dois perfis nos quais as únicas diferenças residem na idade e tempo de carta dos condutores de forma a ilustrar a diferença nos prémios do seguro. Assim, no Perfil 1, o condutor terá carta desde Agosto de 2014, sendo a sua data de nascimento 19/08/1996. Por sua vez, no Perfil 2, o condutor terá carta desde Novembro de 2004, sendo a sua data de nascimento 19/10/1986.

O fator diferencial de ambos os perfis é, portanto, a idade dos condutores, que têm, respetivamente, 20 e 30 anos e, consequentemente, há quanto tempo tiraram a carta de condução, de forma a que a análise fosse o mais fidedigna possível.

Direct, Caravela, Ocidental, Tranquilidade, Fidelidade, Ok!Teleseguros, Logo, Mapfre e N Seguros foram as seguradoras escrutinadas pelo ComparaJá.pt, todas elas admitindo o pacote do seguro automóvel apenas com o seguro de responsabilidade civil.

Seguradoras PERFIL 1 (20 anos) PERFIL 2 (30 anos)
Logo 239 € 140 €
Fidelidade 247 € 189 €
OkTeleSeguros 262 € 168 €
Direct 276 € 212 €
Mapfre 385 € 198 €
Tranquilidade 392 € 190 €
N Seguros 429 € 229 €
Caravela 462 € 370 €
Ocidental 1 142 € 458 €
Média 426 € 239 €

Como se pode ver consoante a tabela acima, o preço médio pago por um condutor que se enquadre no Perfil 1 é de 239 euros, enquanto um consumidor em linha com o Perfil 2 pagará quase o dobro: 426 euros. Um intervalo de quase 50% entre ambos.

Essa diferença de preços pode chegar a um valor próximo dos 200 euros por ano, conforme conclui a análise desenvolvida pelo portal independente de comparação financeira.

Por que razão o prémio do seguro fica mais caro para os jovens?

Um dos motivos é o facto de faltar o histórico de sinistralidade, uma vez que é um dos principais fatores de agravamento ou bonificação. Um condutor com um reduzido histórico é automaticamente prejudicado no preço a pagar. Para além disso, a informação recolhida pelas seguradoras ao longo dos anos revela que os condutores com menos de 25 anos têm uma frequência de acidentes superior à restante população, o que leva a que as tarifas sejam mais elevadas neste segmento.

Neste sentido, é crucial que os jovens escolham cuidadosamente o seu seguro automóvel uma vez que consome uma parte considerável do orçamento anual. Comparar as diferentes opções no mercado é a única forma de conseguir as ofertas mais vantajosas de acordo com o perfil e necessidades. No caso específico do exemplo traçado pelo ComparaJá.pt, tendo em conta a diferença de preço entre a opção mais competitiva (239€) e a opção mais dispendiosa (1.142€), a comparação das diferentes ofertas disponíveis no mercado permitiria poupar mais de 900€ anualmente.